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A AVENTURA DE JOÃO BARBOSA E FILIPE ALBUQUERQUE EM TERRAS DO “TIO SAM” 2017 – PARTE I

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No dia em que a Seleção Portuguesa de Futebol A ficou apurada para o Campeonato do Mundo de Futebol que será realizado na Rússia no próximo ano, inicio, nesta Parte I da rúbrica “A AVENTURA DE JOÃO BARBOSA E FILIPE ALBUQUERQUE EM TERRAS DO “TIO SAM” 2017″, uma retrospetiva do que foi a época de João Barbosa e Filipe Albuquerque no IMSA Sportscar Championship de 2017. Eles que, juntamente com o brasileiro Chisritian Fittipaldi, conquistaram mais uma edição do North American Endurance Cup. A eles, O Blogue dos SportsCars dá os parabéns!

 

AS 24 HORAS DE DAYTONA – 28/01/2017 e 29/01/2017

Fonte: Autosport (Portugal).

Iniciava-se uma nova era no IMSA Sportscar Championship, o principal campeonato norte-americano de resistência dos EUA. Com a grande novidade de serem finalmente estreados os novos protótipos DPi (Daytona Prototype International), protótipos com base no chassis de um dos quatro construtores LMP2 permitidos – Riley/Multimac, Oreca, Onroak Automotive e Dallara – mas com partes da carroçaria originais que ajudam a identificar uma determinada marca e um motor fabricado pela mesma e cuja potência alcança os 600 cavalos, sendo que tal carroçaria/motor seria homologado pela IMSA. Na prática, ainda que partilhassem um mesmo chassis, um Cadillac DPi seria sempre distinto de um Mazda DPi, ou de um Nissan DPi. Na mesma classe caberiam os tradicionais LMP2 homologados pelo ACO que apenas poderiam utilizar o motor de uma só marca (Gibson).

João Barbosa, piloto nascido no Porto e que já está radicado nos EUA há já alguns anos, e Filipe Albuquerque, piloto nascido em Coimbra que chegou a ter fortes possibilidades de ingressar na F1, juntamente com o brasileiro Christian Fittipaldi, iriam iniciar a nova época pela Action Express Mustang Sampling ao volante de um novo carro com o número 5: o Cadillac DPi-V.R., com o novo V8 aspirado da GM. Outras duas equipas iriam utilizar modelo semelhante: a Action Express Whelen Engineering dos campeões Dan Cameron e Eric Curran, e a Wayne Taylor Racing (WTR), dos irmãos Ricky e Jordan Taylor. Iriam também ser estreados: os dois novos Nissan DPi pela equipa ESM (Extreme Speed Motorsport), um dos quais pilotados pelo vencedor de Daytona e Sebring do ano anterior, Luis Felipe Derani; e os dois novos Mazda DPi. As 24 Horas de Daytona seriam, uma vez mais, palco por excelência do início de mais uma edição do IMSA Sportscar Championship.

Fonte: Autosport (Portugal).

João Barbosa começou da melhor maneira a sua participação ao fazer a pole-position mesmo na parte final da sessão de qualificação, com o tempo de 1:36.903. Desde Petit Le Mans de 2014 que o portuense não conseguia o melhor tempo na qualificação. Era um bom prenúncio para a grande corrida de Daytona. Depois de um ano em que não conseguiu o tricampeonato, João Barbosa posicionava-se de modo imperioso para começar a corrida na melhor posição possível. Os restantes Cadillac da Whelen e da WTR posicionavam-se respetivamente em segundo e quarto lugar, com o carro da Rebellion entre eles. Os três Cadillac deram indicações de serem claramente os mais rápidos e de poderem dominar a corrida face aos restantes modelos.

Fonte desconhecida.

A corrida começou com João Barbosa na frente, seguido de Dan Cameron. Como se previa, eram os Cadillac os que se iriam destacar na frente. Poucas voltas depois, Cameron ultrapassa-o. Barbosa deixa-se também ultrapassar por Ricky Taylor. Após duas paragens na box um tanto confusas, é o carro da WTR que fica na frente; contudo, os dois carros da Action Express não o perdem de vista e mantém um forte ritmo na perseguição. Mais tarde, ocorre a primeira troca de pilotos: na WTR, sai Ricky Taylor e entra Jeff Gordon; na Whelen sai Dan Cameron e entra Miller; na Mustang Sampling sai João Barbosa e entra Christian Fittipaldi. Ocorrem duas situações de bandeira amarelas: a que foi motivada por uma colisão do Lamborghini da DAC Motorsports que mais tarde se incendiou, e a provocada por um BMW que ficou parado no começo na pit lane. No final das três primeiras horas, os três Cadillac destacavam-se já do resto do pelotão.

Fonte: Autosport (Portugal).

Jeff Gordon ia cometendo vários erros, um dos quais quando abalroou um dos dois Mazda. Christian Fittipaldi passou para o comando da corrida quando o carro #31 da Whelen teve problemas e teve de rumar às boxes, com Eric Curran ao volante. Max Angelelli foi render Jeff Gordon que não estava a ter uma prestação particularmente feliz. O carro da Mustang Sampling ia trocando de posições com o carro da WTR em cada ida às boxes.

©Richard Prince/Cadillac.

Cai a noite. O carro #31 acabou por ficar muito para trás devido a problemas mecânicos. Mike Conway, que rendeu Eric Curran, teve um problema de transmissão e, mais tarde, outro na direção. Eric Curran, entretanto regressado ao volante do carro da Whelen, o “vermelhão”, teve um encontro imediato com um carro da categoria Prototype Challenge. Quanto ao carro da WTR, o “escurinho”, Jeff Gordon encarregava-se de fazer o seu segundo turno, bem mais tranquilo e numa fase em que os carros andavam mais afastados uns dos outros, antes de passar o volante Ricky Taylor, que iria também gozar o seu segundo turno.

Fonte: Autosport (Portugal).

Filipe Albuquerque é o mais bem preparado dos trio do carro #5 para a fase noturna. Foi ganhando tempo suficiente para ficar na liderança, com uma margem relativamente confortável, antes de entregar o carro ao João Barbosa. Aquando da paragem nas boxes, o Cadillac “branco e preto” descia para quarto, mas João Barbosa conseguiu recuperar em pouco tempo para terceiro. Isto permitiu que um dos Nissan DPi da ESM passasse para o segundo posto, primeiro com Bruno Senna (o sobrinho do Ayrton Senna) ao volante, depois com o piloto da Porsche, Brendon Hartley. Mais tarde, cai a chuva e, com ela, vem as bandeiras amarelas provocadas por vários acidentes, que permitem aproximações perigosas. O carro #90 da Visit Florida, o Riley-Gibson, chega, ainda que por breves instantes, ao comando da corrida. O Cadillac “vermelhão” consegue manter-se no top cinco, ainda que com várias voltas de atraso face ao comandante da prova. O carro #22 da ESM, agora conduzido por Luis Felipe Derani, desce para a quarta posição, ficando já a uma volta de atraso face ao líder.

Entretanto o carro da Mustang Sampling recuperou o primeiro lugar ainda em plena fase da chuva. Mas, quando a chuva parou, o carro dos irmãos Taylor foi recuperando terreno e acabou por voltar à liderança, ultrapassando o carro que, na altura estava a ser pilotado por João Barbosa, que não estava com o mesmo ritmo do Filipe Albuquerque, assim como Christian Fittipaldi que, para piorar a situação, efetuou um pião que ia deitando tudo a perder. Ainda assim, a quatro horas do fim, a equipa do carro #5 mantinha-se na luta pela vitória. Passado duas horas, a WTR era a grande favorita à vitória, apesar das tentativas do carro da Mustang Sampling em recuperar terreno que se revelavam infrutíferas.

Até que entra Filipe Albuquerque, que volta a fazer um grande turno e consegue mesmo colocar o seu carro na liderança, após várias situações de bandeiras amarelas. A última das quais a cerca de meia hora do fim da corrida, que voltou a reaproximar os carros. Apesar da reaproximação de Ricky Taylor, o piloto de Coimbra não dava sinais de se deixar ultrapassar. Até que, a seis minutos do fim da corrida, à entrada para a primeira curva, Ricky Taylor enfia o carro pelo lado esquerdo do carro do Filipe. Quando este faz uma trajetória à esquerda na primeira curva após a “reta” da meta, Ricky Taylor parece abalroar o carro do português, provocando-lhe um pião que o fez perder alguns segundos preciosos. A direção da corrida entende que não houve qualquer infração, contudo percebe-se que o Ricky podia ter evitado bater, mas preferiu “atirar-se de cabeça”. Ricky passa para a liderança, contudo Filipe não desiste e aumenta até o ritmo. No final, a WTR vence a corrida e Filipe Albuquerque acaba em segundo lugar, a 1.5 míseros segundos.

No final, o segundo lugar da equipa do carro #5 soube a pouco, sobretudo pela controvérsia gerada por aquele incidente. Ficou a certeza de uma grande prestação da tripla luso-brasileira. A mesma tripla iria disputar, por ocasião da disputa do North American Endurance Cup, as 12 Horas de Sebring, pouco mais de um mês depois…

Abaixo, para rever e voltar a rever, os vídeos sobre a corrida de Daytona.

Brevemente, a Parte II. Até lá!

AR

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